Sem querer ser a chata da festa – By Silvia Valadares Jurada do SW Goiânia

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Sem querer ser a chata da festa, acho que estamos vivendo uma pré-bolha de aceleradoras no país. Em apenas dois dias, conversei com três novos projetos de aceleração de empresas. Durante uma conversa por Skype, mapeamos 30.

Esse cenário pode ser visto também como mais um passo para o amadurecimento do empreendedorismo do país. No entanto, não consigo parar de pensar nos cenários em que uma aceleradora ajuda e qual tipo de negócio pode se beneficiar.

Estou um pouco cansada do hype, então vou chamar startup do que ela realmente é: microempresa. Tirar uma ideia do universo etéreo e transformar em um negócio de sucesso não é para qualquer um. É preciso ter nervos de aço, determinação, capital e sorte. Felizmente, tem pessoas de várias idades cada vez mais interessadas nessa jornada. Preferem correr o risco de ser bem sucedido algum dia do que ter um cargo técnico no governo ou de executivo na iniciativa privada.

Essa microempresa vai precisar de apoio para provar a ideia, obter mentoria, melhorar seus conceitos, sem perder a janela de oportunidade. Por mais que existam novos investidores interessados no Brasil, há um corte. Eles querem empresas que já ganharam tração, possuem algum cliente, tem um MVP consistente impresso em papel couché e pronto para o duplo clique que vai checar a consistência. É aí que uma aceleradora pode ser útil. Em teoria, ela se interessa por empreendedores que ainda não chegaram nesse estágio e vão ajudar nessas etapas de forma rápida.

Esse apoio consiste em um pouco de dinheiro, muito pouco nessa fase, bastante consultoria para azeitar o modelo de negócios, contatos úteis com pessoas que possuem poder de decisão. Imagine que uma microempresa da área de finanças não consegue acesso ao presidente de um determinado banco ou da Bovespa. Em tese, a aceleradora vai promover tanto esse encontro, como a preparação para o mesmo. O que pode evitar uma sessão de embaraço, assim como queimar para sempre qualquer oportunidade de negócios futuros.

Em troca, a aceleradora vai ficar com 10% da sua empresa (média). Nesse momento começam também os problemas. Conversei com pessoas que querem até 40%. Equação básica do ensino fundamental revela que essa conta não está fechando. Depois dos ciclos de investimento, o dono da empresa pode se transformar em um assalariado de startup. E aí matamos o empreendedor.

Um segundo ponto fundamental é o foco. Para qualquer aceleradora de sucesso, a rede de apoio é ponto nevrálgico. Talvez o ecossistema não tenha maturidade para ter aceleradoras 100% temáticas, a não ser que sejam ligadas a determinadas empresas lideres em seus segmentos. No entanto, não deve ser genérica demais. Difícil ter 10, 15 projetos acelerados simultaneamente, exigindo networking em diversas verticais de mercado.

Por fim, me preocupo com volume. Sair do zero para 15 projetos em apenas três meses é tarefa hercúlea. Como navego com frequência entre os ambientes de empreendedorismo e acadêmicos, posso ajudar alguns nesse mapeamento. Mas não acredito que exista ainda um volume imenso de bons projetos para serem acelerados. O que existe é uma carência de educação empreendedora para os jovens. É semelhante à educação financeira. Precisa incubar cedo esse vírus para termos resultados no longo prazo.

Fonte: http://colunas.revistapegn.globo.com/mulheresempreendedoras/2012/08/15/sem-querer-ser-a-chata-da-festa/